sexta-feira, 29 de maio de 2009

Minha nada mole vida de imigrante - segundo episódio da saga

Chegando ao balcão, entreguei o formulário e a atendente achou estranho o meu formulário ser tão 'curto'. Eu disse que havia impresso o formulário no site da UDI (Diretório de Imigração), mas ela quis checar com outra pessoa. Ela voltou, e disse que o formulário seria aceito. Ainda bem, pensei. Lendo o formulário para ver se o preenchimento estava correto, ela me informa que, como eu estou pedindo um visto de reunificação familiar por meio de casamento, meu marido teria que estar presente!!! (Tive vontade de gritar, que nem o homem na pintura famosa do Edvard Munch). Eu disse a ela: "Mas, meu marido está trabalhando agora!", ao que ela respondeu calmamente: "Ah, ele tem que pedir um dia de folga e vir aqui com você assinar um formulário que prove que vocês continuam casados..."

Eu respirei fundo e disse que eu tentaria ligar para ele e ver se ele poderia vir naquele dia mesmo (faltando 45 minutos para a repartição fechar), mas se ele não pudesse, eu voltaria na segunda. Eis que ela me diz: "Mas, na segunda, nós estaremos fechados, por que é feriado de Pentecostes!" Ela me disse que se nós conseguíssemos voltar no mesmo dia, nós não teríamos que pegar outra senha, era só ir até o balcão. Liguei para o meu marido, que felizmente trabalha no centro de Trondheim, e ele conseguiu uma hora livre para vir me 'salvar'. Ele chegou depois de 15 minutos.

Voltamos ao balcão e finalmente conseguimos entregar a papelada. Meu marido e eu, muito revoltados com a falta de informação (não vimos nada no site sobre esta regra de que o marido tem que estar presente), 'bombardeamos' a atendente com perguntas. Fiquei sabendo, por exemplo, que eu não posso entrar com o pedido de visto de moradia em outubro, quando eu completo 3 anos de Noruega, por que o meu primeiro visto, de noiva, faz parte de um outro parágrafo da lei, e que os vistos que valem são o segundo, terceiro e quarto, o que eu estou esperando agora. "Ou seja", meu marido disse para a atendente, "vale mais vir para Noruega como turista e casar do que fazer tudo dentro da lei, por que na verdade o primeiro visto não vale nada." Ela respondeu que não era bem assim, por que os turistas que casavam sem visto corriam o risco de serem deportados mesmo estando casados para esperarem a resposta no país de origem. É só risco mesmo, por que eu nunca ouvi falar de um turista (pelo menos brasileiro) que tenha se casado aqui e tenha sido deportado. Só li sobre uma turista que estava grávida de um norueguês, mas não era casada e foi deportada. Mas, enfim...

Moral da história: eu concluí que imigrantes são tratados muito mal pelas autoridades daqui, e isto se deve ao fato que imigrantes não têm voz para reclamar, ou não são ouvidos. Eu não estou criticando somente por que isto aconteceu comigo, mas vi ontem que isto acontece com quase todos os imigrantes. Quando é que um norueguês aceitaria esperar numa fila em uma saleta apertada durante 3, 4 horas e aceitar tudo numa boa? No consultório médico, 15 minutos de atraso já é motivo de reclamação! Além disso, imigrantes pagam e muito caro por cada pedido de visto (eu desembolsei o equivalente a quase 400 reais dessa vez). Na terceira maior cidade da Noruega, um escritório de imigração que abre somente três vezes por semana e 4 horas por dia é no mínimo absurdo. Felizmente, o meu caso se resolveu, depois de muitos contratempos. Ano que vem estarei preparada para enfrentar a avalanche de burocracia - o grau de dificuldade vai aumentar por que eu vou entrar com pedido de visto permanente de moradia - e vou me lembrar de pegar senha mais cedo e de levar meu marido junto. 

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