sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

E mais um ano novo começa

Primeiro quero expressar minha tristeza ao ver imagens das fortes enchentes no Brasil pela TV.

Passei o Natal com a família do meu marido e estava um frio, mas um frio...nunca havia feito tanto frio no Natal como este ano desde que cheguei aqui. A temperatura estava em torno de 22 graus negativos e não estava nevando. Eu acho lindo quando neva muito no Natal, mas este ano tive que me contentar só com o frio e com gelo nas calçadas.

O Ano Novo passamos aqui em casa só nós dois com jantar e depois fomos ver os fogos de artifício. A temperatura subiu um pouco e o resultado foi neve e gelo derretido nas ruas, o que dificultava andar de tão escorregadio e ensopado que estava.

Logo na segunda-feira, dia 3 de janeiro lá estava eu na escola para planejar o novo semestre letivo. Eu havia recebido uma proposta para aumentar minhas horas na escola, mas resolvi recusar. Ano passado eu assumi mais compromissos do que deveria e meu tempo ficou muito reduzido, o que fez com que eu tivesse muito pouco tempo para estudar. Não lembro se escrevi aqui, mas eu resolvi não continuar como estudante assistente na faculdade por esse mesmo motivo. Recebi uma das notas do ano passado e estou muito satisfeita, agora falta só mais uma.

Então, este ano vou me dividir entre a escola três dias na semana e a faculdade dois dias por semana. Vou ter duas matérias: Uma se chama introdução às ciências políticas. Vou estudar a estrutura política da Noruega e de outros países e também temas como corrupção, muito interessante. A outra matéria, mais interessante ainda para mim é introdução à sociologia. Já folheei os livros e acho que vou gostar muito. Em agosto vou iniciar a última etapa obrigatória dos meus estudos na Noruega, vou estudar pedagogia ao longo de dois anos. Eu tenho a opção de estudar um ano só, mas neste caso teria que parar de trabalhar para me dedicar somente aos estudos, já que o curso é intensivo e controla a presença dos estudantes. Como eu gosto muito do meu trabalho, decidi pelo curso flexível de dois anos. Assim vou poder trabalhar e vou estudar ao mesmo tempo. Depois de ter terminado Pedagogia creio que vou estudar mais um pouquinho para obter um bacharelado, ou em inglês ou em espanhol, assim meu nível salarial aumenta mais um pouco. Mestrado e doutorado não estão nos meus planos, então acho que em 3 ou 4 anos vou ter encerrado minha carreira acadêmica. Mas, não sei se vou parar de estudar completamente, vamos ver o que acontece.

Estou sem meu laptop por que tive que mandá-lo para o conserto por causa de um probleminha no monitor. Mas, para minha surpresa, a loja me emprestou um laptop até que o meu esteja pronto. Fiquei positivamente surpresa. Na terça-feira fui até a polícia e retirei meu passaporte com a nova etiqueta contendo meu visto permanente. Não vou precisar me preocupar com isso até 2013. Aí é só ir até a polícia - sem pegar fila - e pedir que colem uma nova etiqueta que valerá por mais dois anos. Mal posso acreditar que o pesadelo dos vistos chegou ao fim, agora posso viajar ao Brasil quando eu quiser!

Falando em visto, esta semana aqui na Noruega uma moça da Rússia de 25 anos que havia vindo para cá como refugiada junto com os pais há mais de 10 anos foi presa e está para ser deportada. Ela persistiu em ficar na Noruega mesmo depois de as autoridades terem negado o seu pedido de asilo no país. Além disso, ela conseguiu se matricular na faculdade e obteve um mestrado - tudo isso sem documentos noruegueses! Ano passado ela escreveu um livro onde narra sua vida como ilegal na Noruega. Ontem houve muitos protestos aqui em Trondheim apelando para que as autoridades a deixem ficar. Eu não tenho absolutamente nada contra a moça e contra outros imigrantes ilegais. O que eu não entendo é um sistema que deixa alguns ficarem aqui de forma ilegal e deporta outros. Embora meu caso seja completamente diferente, eu e meu marido procuramos desde o princípio cumprir com a lei e obter toda a papelada para eu emigrasse legalmente. E nesse período fiquei sabendo de emigrantes que vieram na mesma condição que a minha -com namorados(as) e noivos(as) aqui e não fizeram tudo o que eu tive que fazer. E nem é culpa deles, por que se o sistema não presta atenção sempre tem que tente o jeitinho mais fácil. É culpa do sistema que deixa passar. Eu acho que, ou as autoridades liberam os vistos, deixando que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo possa vir para cá, ou as autoridades cumprem suas próprias leis, deportando quem está ilegal e não perturbando quem está aqui legalmente. Depois de quatro anos aqui eu vi, ouvi e li muito sobre imigrantes e sei que cada história tem dois lados.

E assim vão passando os dias na Noruega, no meio de um inverno implacável, as ruas 'ensaboadas' de gelo, muitas saudades do verão do Brasil e aguardando ansiosamente uma viagem muito especial que vamos fazer...O bom de se trabalhar é que podemos nos dar presentes de vez em quando sem peso na consciência!

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